Há dias vi o Sei Lá, um grande marco cinematográfico baseado no romance homónimo (e segundo ouço dizer também ele um grande marco literário) da Margarida Rebelo Pinto.
Ora vejamos. Eu não li nenhum livro da senhora e não vou portanto tecer qualquer comentário acerca de literatura cor-de-rosa ou da fonte literária. Este comentário será portanto menos rico, mas esperemos que compense sendo bastante colorido.
Começo por reiterar a quem por acaso ainda não tem percebido que sou fã de comédias românticas, vulgo filme de gaja, e que como tal já assisti a um grande número de obras do género. Também sou apologista de apoiar o cinema português e tendo abranger nos meus visionamentos a produção nacional.
Quanto à obra em destaque: Sei Lá, o filme, é bastante insultuoso. É-o para as mulheres, em primeiro lugar, e é-o para a nossa inteligência, em segundo.
Quando eu me junto com as minhas amigas, a nossa conversa não gira só à volta de homens e papar homens e de como eles são cabrões. Há mais vida para além disso. Nem sei que nível de problemas do foro psicológico têm estas senhoras para odiarem tanto o sexo oposto, mas deve ser por isso que os únicos amigos que têm são outras três senhoras que odeiam o sexo oposto e que só falam nisso. Com todo o seu espírito de libertação feminina "nós não precisamos de gajos", é irónico que Sei Lá seja incrivelmente machista e rebaixante para o sexo femino. Os homens são todos iguais, mas pelos vistos as mulheres também.
Em termos de história, é fraquinho, pouco plausível (pior agente do SIS de sempre) e um pouco idiota, características comuns a muitas outras comédias românticas mediano-fracas e facto que não surpreende ninguém.
Ah, e já agora, a protagonista é bipolar de certeza. Quer o espanhol à cara podre do Sr. SIS e no minuto a seguir quer o SIS à cara podre do espanhol.
Já sabia ao que ia, no sentido de que esperava uma comédia romântica "do costume", mas não esperava este nível de moralismos sexistas da tanga. Bah.