Há qualquer coisa em filmes com viagens no tempo que me põe sempre de pé atrás. Suponho que seja a mesma coisa que me enerva solenemente quando séries ou
franchises cinematográficos decidem alterar a continuidade das suas histórias canónicas através de golpes de efeito borboleta.
Desconfiei, portanto, quando a minha cara-metade me aconselhou a ver "Dá Tempo ao Tempo". "É uma comédia romântica! Com um protagonista ruivo! Tu gostas de comédias românticas e de pessoas ruivas...". Verdade. Mas só aprecio viagens no tempo em para aí 50% das coisas que vejo. Enchi-me de coragem, preparei-me para levar com uma dose moderada de trocas e baldrocas na história, e pus-me a ver o filme.
E não é que o filme me fez figurativamente um pirete e seguiu um caminho para mim inesperado? Afinal de contas é uma coisinha bem simpática (tenho de questionar a classificação de comédia, no entanto, que eu ainda choraminguei e não sou de chorar em comédias, nem quando são muito más). A coisa das viagens no tempo não é usada da forma tradicional... A estrutura-tipo "descobri-que-viajo; é-tão-engraçado; sou-tão-feliz; volto-atrás-para-ajudar-alguém; faço-merda-e-o-efeito-borboleta-estraga-me-a-minha-vida-no-futuro" não foi nem perto nem mais ou menos a escolhida.
Já devia saber que os filmes britânicos na sua maioria não são tão previsíveis como os seus congéneres de Hollywood. Toma que é para aprenderes a não julgar livros pela capa e filmes pela sinopse.